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LEIA AQUI ALGUNS TRECHOS DO QUE JÁ SAIU NA IMPRENSA

Coluna publicada no Jornal da Paraíba, 30 de novembro de 2006

Direto ao assunto / José Nêumanne

Os presidentes de Jefferson

Em 1992, o então deputado federal Roberto Jefferson liderava a bancada governista do Partido Trabalhista Brasileira (PTB) e funcionava, na prática, como principal defensor do então presidente Fernando Collor de Mello, protagonista de um processo de impeachment, que o apearia do poder. Treze anos depois, na presidência do mesmo partido, também aliado do governo, desta vez comandado pelo adversário derrotado por Collor, Luiz Inácio Lula da Silva, do PT, aquele mesmo advogado e tribuno deixou a condição de coadjuvante para ascender ao estrelato na condição de protagonista do maior escândalo de corrupção da História da República, que ele mesmo apelidou de "mensalão".

A trajetória desse líder político, forjado nos fóruns criminais da Baixada Fluminense e no show populista de televisão O povo na TV, chegou ao mercado editorial na forma do livro Nervos de aço, que registra o depoimento do deputado federal cassado dado ao escritor Luciano Trigo e foi lançado pela editora carioca Topbooks. Sob a égide da mesma Constituição, outorgada em 1988, os presidentes a que serviu o autor do livro tiveram destinos opostos: um foi deposto pelo Congresso acusado de corrupção pela secretária, pelo motorista e pelo próprio irmão. Após cumprir o prazo estabelecido pela lei, ele acaba de voltar ao Senado pelo voto popular de seu Estado natal, Alagoas. Enquanto o outro, beneficiado por um tal efeito Teflon, não teve a faixa presidencial emporcalhada por resquícios da lama atirada contra a cúpula dirigente do partido que fundou e alguns auxiliares, entre os quais os dois mais importantes membros do primeiro escalão: o ex-chefe da Casa Civil José Dirceu e o ex-ministro da Fazenda Antônio Palocci. Reeleito, ele se deu ao luxo de confessar os ilícitos na última reunião do Diretório Nacional petista.

Defesa e acusação

Atuante na CPI que levou um à deposição e nas que mal nenhum fizeram ao outro, o senador Pedro Simon (PMDB-RS), diz sempre que Collor deu todas as condições ao Parlamento para investigá-lo, enquanto Lula fez de tudo para impedir a incriminação dos suspeitos. Personagem importante nos bastidores nos dois processos (defensor no primeiro e principal testemunha de acusação no segundo), o presidente nacional afastado do PTB deu no livro um testemunho valioso para a História, ao denunciar uma complexa rede de favorecimentos pessoais e distribuição de dinheiro vivo para comprar a adesão parlamentar de aliados e calar adversários recalcitrantes. Os governistas alegam que ele nada provou. Mas também nada do que ele disse até agora foi desmentido.

Loteamento e privatização

O depoimento de Jefferson é um coerente e verossímil relato de como funciona o esquema de troca de favores e compra de facilidades que depaupera o Erário e fragiliza nossas instituições desde sempre, sobrevivendo ao rodízio do poder, mesmo quando isso implica uma guinada ideológica na elite dirigente. Não se trata de algo meramente circunstancial, mas o registro factual que disseca e radiografa, de forma implacável, as estruturas apodrecidas sobre as quais se apóia o Estado brasileiro, sob quaisquer regimes. Quando a tormenta política de 2005 for apenas um capítulo na História do Brasil, seu relato será fundamental para qualquer estudioso interessado em conhecer como o patrimonialismo loteia e privatiza a máquina pública federal neste País.

A vantagem do livro

A vantagem do texto editado em livro sobre os depoimentos dados a jornalistas e colegas parlamentares pelo autor é que, já punido por seus "nobres" pares, Roberto Jefferson se sentiu desobrigado de atender a circunstâncias específicas para atenuar a própria punição e deixou de procurar atenuantes para beneficiar personagens. Os encontros mantidos com o presidente e alguns de seus ministros, por exemplo, foram reconstruídos integralmente pela memória. E a confissão minuciosa do próprio crime de trocar dinheiro por apoio político se dá sem autocomiseração nem piedade com os outros protagonistas. Além disso, o autor dá pistas para bons entendedores sobre temas delicados como a origem do dinheiro que financia as campanhas politicas brasileiras.

Muito além do vídeo

As 376 páginas do livro traçam um retrato fiel do submundo da política nacional. Ele não se limita ao tempo em que os fatos narrados ocorreram, mas faz a sociologia realista de como o poder é exercido nas brechas da lei num Estado de Direito viciado por séculos de mandonismo sob diversos rótulos ideológicos. A leitura sem preconceito do depoimento do ex-amigo que delatou as ações entre amigos ajuda mais a quem busca entender o que ocorre nos porões palacianos que os discursos de campanha ou as entrevistas com promessas e boas intenções dos mandatários que os povoam. Ele narra um pedaço podre, mas real, do Brasil que os filmetes dos programas eleitorais gratuitos na televisão não documentam.

O malogro da estratégia de amordaçar com o Conselho Federal de Jornalismo e a Ancinav os jornalistas que incomodassem a companheirada no poder federal na primeira gestão de Lula levou Luiz Gushiken, dela encarregado, à companhia de José Dirceu e Antônio Palocci no cadafalso dos ex-comissários que tombaram pelo caminho. Na segunda, esta mesma tarefa acaba de ser transferida para a chefa da casa Civil, Dilma Rousseff, mais competente e determinada que ele. Paradoxo terrível, o de a "neodemocracia" pôr em risco o Estado de Direito fingindo servir ao povo em cujo nome o poder é exercido. E ironia incrível esta de a liberdade de imprensa ser ameaçada pela queda de um dignitário que ela derrubou.

Tribuna da Imprensa, 28 de setembro de 2006

Coluna Hélio Fernandes

3 dias antes da eleição, sai o livro de Roberto Jefferson

Libelo, drama, audácia, suicídio e assassinato

Conheci Roberto Jefferson no "Povo na TV". Fizemos alguns programas juntos, não me impressionou. Jamais imaginei que 25 anos depois, ainda através da televisão, eu ficasse 7 horas em silêncio (como todo mundo) ouvindo ele falar. Me impressionou. Também não podia sequer pensar que, tendo recebido seu livro ontem, devorasse todas as 375 páginas (embora esteja acostumado), pois precisava escrever estas notas e comentários antes da eleição.

No dia 5 de julho de 1922, depois da louca e maravilhosa aventura dos 18 do Forte, o presidente Epitácio Pessoa foi visitar os feridos no Hospital Central do Exército. Diante da cama do tenente Eduardo Prado, com a barriga toda enfaixada (ferido por metralhadora), o presidente disse, quase sussurrando: "Tanta bravura por uma causa inglória". Eduardo Prado rasgou as ataduras, morreu na hora, horrorizando o presidente.

Lendo, lembrei dos dois fatos. E se Roberto Jefferson não se enquadra (e provavelmente nem quer) no personagem Epitácio Pessoa, querendo ou não querendo repete o bravo tenente de 1922. Pois, ao estraçalhar toda uma ordem política vigente, obviamente ele arrancava as ataduras que mantinham sua vida. E nada foi surpreendente para ele, que sempre deixou bem claro: "Eu sei que serei cassado". E com isso empolgou o país.

O livro (Editora TOPBOOKS, do José Mario Pereira) foi admiravelmente simplificado por Luciano Trigo, que modestamente, na capa, aparece como o jornalista que recebeu o depoimento. É mais do que isso. É evidente que sem Roberto Jefferson, sem o que eu chamo de "suicídio direto e assassinato ainda mais direto e implacável", não haveria o livro. Mas ele poderia ter escolhido para dar seu DEPOIMENTO um jornalista que pretendesse ofuscar o autor, e aí estaria tudo perdido. Luciano Trigo teve a percepção correta e irrefutável de que o seu sucesso estava ligado indissoluvelmente ao sucesso da narrativa. O que já conseguiu.

O livro, Nervos de aço, de acordo com o episódio contado pelo próprio Jefferson, não é repetição de nada. Nem das 7 horas que falou, nem das inúmeras e incessantes entrevistas que foi concedendo, depois que se transformou em nome nacional. Apareceu bastante na televisão (antes), se elegeu para 6 mandatos, não concluiria o último, precisamente aquele que lhe daria repercussão nacional.

Claro que muito do que Jefferson falou em jornais e televisões, depois da denúncia única na história nacional, aparece no livro. Nem podia acontecer de outra maneira. O episódio memorável de um deputado publicamente apontar a arma para si mesmo e atirar certeiramente em gente que se considerava inatingível e intocável é um espetáculo incomparável. Indescritível. Irrevogável? Incompreensível? Inacreditável?

O livro é incendiário, deixa carbonizados os personagens que aparecem. Não é feito de previsões e sim de constatações. Roberto Jefferson não teve dúvidas sobre seu próprio futuro, mas massacrou antecipadamente os que foram revelados. A começar por José Dirceu, o mais poderoso de todos, e terminando em Antônio Palocci. Os dois, citados com reverência pelo próprio presidente Lula. Que não compareceu ao enterro deles, embora tivesse assinado o atestado de óbito. O presidente assinou, mas quem fez a autópsia foi Roberto Jefferson.

As 7 horas do depoimento na Câmara e as diversas entrevistas em jornais e televisões não estão sumarizadas e sim ampliadas no livro. É uma história penosa, mas heróica. Dilacerante, mas emocionante. Destrutiva, mas abrindo caminho para uma possível caminhada construtiva. E não apresenta nada de definitivo, nem mesmo para o próprio Jefferson. Quem diz que ele não ressurgirá? Aqueles que foram fulminados não voltarão. O destino dele também será esse?

PS - Foram horas e horas de leitura. Não fiz um julgamento, chamei a atenção para o que estava no livro IMPERDÍVEL.

PS 2 - Reconheço que está preparada a pauta para o julgamento de 126 milhões de eleitores. Esses é que darão a última palavra no domingo. Se puderem ler o livro antes, ótimo. Se não puderem, deixarem para depois, não tem importância. Em 375 páginas, Roberto Jefferson radiografou, com aparelhagem especial, o que poucos já haviam visto. As entranhas mais sujas dos últimos 10 anos de Poder estão à vista de todos.

 

O Estado de S. Paulo, 23 de setembro de 2006

Jefferson conta em livro: Lula sabia

Ex-deputado lança "Nervos de Aço" e prevê segundo mandato "dramático"
Gabriel Manzano Filho

Bom de cena, hábil domador de holofotes, o ex-deputado Roberto Jefferson escolheu a última semana da campanha eleitoral para voltar aos palcos da mídia e, num bem organizado relato de 375 páginas, reviver seu melhor momento político: a crise do mensalão de 2005, da qual foi herói, vilão, mestre de cerimônias – e, agora, narrador. Nervos de Aço – Um retrato da política e dos políticos no Brasil, suas memórias do período entre janeiro e setembro de 2005, chegou às livrarias neste fim de semana (Topbooks, R$ 39,90) como um forte libelo, do começo ao fim – não só contra o governo Lula, mas contra o PT e seus projetos políticos. Ao final, de olho nas urnas de 1º de outubro, ele faz sua previsão: se o presidente Lula for reeleito, "o segundo mandato será dramático. Ficou tudo muito visível".

Clientelista calejado, advogado talentoso, o Jefferson do livro é o mesmo das tribunas e da TV: um contador de casos de fala fácil, um guerreiro que, de tanto ganhar e perder, não tem medo de idéias nem de palavras. Por isso seu depoimento, organizado em 17 capítulos pelo jornalista e escritor Luciano Trigo, traça uma radiografia rara, convincente – com os devidos descontos de ser absolutamente individual – da recente política brasileira.

É uma metralhadora giratória incessante. "Não podia acusar diretamente Lula", diz sobre a velha questão da responsabilidade do presidente no episódio, "mas hoje penso que Lula sabia de tudo. Qualquer um que tenha convivido com a cúpula do PT sabe qual é a cadeia de comando ali", diz ele em um dos trechos mais contundentes, que assim prossegue: "Não teve (o presidente) real compromisso com o País, além do palavrório vazio, sem apoios, sem noção, sem compostura. Sem, infelizmente, vergonha".

Dramático, ele relata a história dos R$ 4 milhões que o PT teria prometido, e jamais entregue, ao seu PTB. "Cometi o suicídio político. Saltei, mas levei comigo, pela mão, os meus algozes. Dei uma de talibã: enchi a roupa de bombas e entrei no avião do Lula, disposto a explodir tudo". Foi por causa desse dinheiro, que, enfim, ele foi cassado, a 14 de setembro. Numa série de vaivéns, quase brincando, ele deixa no ar um mistério sobre esse dinheiro:  "Politicamente recebi, tecnicamente não" (...). E ao fim lava as mãos: "Se eu disse (uma mentira), nunca uma dissimulação teria sido tão imperiosa, tão justificada".


AUTORITARISMO

(...) Seu relato é importante pelo eixo central que vai construindo, ao longo dos capítulos: a idéia de que o mensalão, "um processo de fidelização da base aliada por meio de mesada a parlamentares", não apenas se encaixava, mas era necessário, inevitável, na estratégia petista. O PT, diz ele, montou "uma corrupção orgânica e uma gatunagem sistêmica". Ao invés do corrupto tradicional, que "aproveita as brechas", surgiu outro, que rouba "por ideologia e desmonta o Estado por dentro".

A idéia era "alugar parlamentares, para não compartilhar o poder" – e o mensalão, que já existia (Jefferson reproduz as primeiras evidências dele, no governo anterior), ganhou força, para aplacar as insatisfações dos que não tinham mais, depois da ascensão da dupla Lula-Dirceu, o poder para nomear. Os projetos "vinham fechados do Planalto" e o Congresso virou "um mero homologador". E foi o empenho do PT nessa operação que, segundo ele, quebrou uma rotina que funcionava bem. E isso se deveu ao descaso, ou incompetência, de José Dirceu, a sua vítima predileta. "Eu não traí o José Dirceu", garante. "Ele é que não foi leal comigo". (...)



IstoÉ Dinheiro, 25 de setembro de 2006

A volta do homem-bomba

Nessa reta final da campanha presidencial, em que o presidente Lula se vê diante de mais um terremoto político, um velho fantasma voltou a assombrar o PT. É Roberto Jefferson, o homem-bomba. Jefferson acaba de lançar, pela editora Topbooks, o livro Nervos de Aço, escrito com a colaboração do jornalista Luciano Trigo. Numa narrativa fluente, ele oferece a interpretação mais coerente para a maior crise política da história recente – até porque contada por um de seus protagonistas, que não omite nem os próprios pecados.

Na gênese do escândalo, Jefferson revela por que fechou um acordo de R$ 20 milhões entre o PTB e o PT, diz como foi traído por José Dirceu e ensina como os cargos públicos nas estatais são usados para arrecadar recursos para os partidos políticos.

O ex-deputado conta ainda como uma nomeação, a de Francisco Spirandel, do PTB, para o lugar de Dimas Toledo, em Furnas, poderia ter evitado a crise. Isso porque o cargo de Dimas, de onde seria possível arrecadar R$ 3 milhões por mês, é um dos mais rentáveis da República. (...)

Jefferson revela ainda o teor de uma conversa privada com o senador Jorge Bornhausen, do PFL, no auge da crise do mensalão. Este lhe disse que tucanos e pefelistas desistiram de buscar o impeachment de Lula não por falta de motivos jurídicos ou de ressonância popular, mas por um cálculo político: acreditavam que, se o vice José Alencar assumisse o poder, seria um candidato imbatível nas eleições deste ano.

No fim do livro, Jefferson explica de forma precisa por que perdeu o mandato. “Fui cassado por cometer o delito de abrir o esgoto a céu aberto, e deixar a substância pestilenta vir à superfície. Quanto mais mexeram, pior ficou o odor”, disse ele. “E o que fiz foi tido como imperdoável aos olhos dos meus pares, pois transgredi a lei do silêncio, a omertà que impera na política brasileira”.
Por Leonardo Attuch

 

 

O Tempo, Belo Horizonte, 24 de setembro de 2006

O primeiro livro de Roberto Jefferson
DENISE MOTTA

Ele expôs o mensalão, desafiou a alta cúpula do PT e provocou a queda do então ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu. Está afastado da política desde setembro de 2005, quando teve seu mandato de deputado federal cassado. Agora, às vésperas das eleições, ele está de volta: nas livrarias.

O primeiro livro de Roberto Jefferson, Nervos de Aço (Editora Topbooks, R$ 39,90), chegou às lojas (...). Uma das principais revelações é o diálogo que seu autor diz ter travado com o presidente Lula, na presença de José Dirceu e do ministro do Turismo, Walfrido dos Mares Guia. (...)

Roberto Jefferson afirma que escrever um livro não foi planejado. “Gostei, mas não quero badalação. Isso, para mim, é mais uma satisfação à minha cidade (Petrópolis-RJ), à minha família, amigos e eleitores. O que o livro vai fazer não me importa. Eu não estou preocupado em ganhar dinheiro com ele”, disse. (...)

• RELAÇÃO COM O PT
“Me preparei para enfrentar o PT, sabendo como enfrentar. Já tinha enfrentado o partido na CPI do Collor. Já sabia como o PT joga e foi uma coisa boa. Sempre fiz oposição ao PT, desde meu primeiro mandato. Só agora houve essa aproximação do PT com o PTB. Eu era contra e continuo contra, apesar do Walfrido (dos Mares Guia, ministro do Turismo) estar lá agarrado com o Lula no ministério. Ele (Walfrido) é pré-Lula. Ele não é PTB. O partido dele é o Partido do Turismo Brasileiro. Vou continuar combatendo esse alinhamento do partido com o governo Lula porque eu entendo que o PTB perdeu muito mais do que ganhou”.

• CORRUPÇÃO NO BRASIL
“Dos governos com os quais convivi, esse é o mais corrupto. Essa coisa do PT de plantar informações, desestabilizar pessoas, dizimar imagem pública, vem lá de trás. O PT sempre jogou assim e, no governo, abusa de fazer isso. Esse negócio do mensalão existe em cidade pequena, em Câmara no interior, em que o prefeito dá R$ 5 mil para cada vereador por mês, para uma maioria que ele administra. Mas na Câmara dos Deputados, vitrine do Brasil, foi a primeira vez que vi. O PT transformou a Câmara dos Deputados em uma Câmara de Vereadores de quinta categoria”. (...)

• JOSÉ DIRCEU NOS BASTIDORES
“O Ricardo Berzoini (presidente do PT e coordenador da campanha de Lula, demitido semana passada) é continuação do Zé Dirceu até nas práticas. São as mesmas que do mensalão, agora, no “Dossiê Gate” (em referência à comparação com o caso Watergate, feita pelo ministro Marco Aurélio Mello, do TSE). Um dia antes de a denúncia sair na revista “Isto É”, o Zé Dirceu antecipou no blog dele a matéria do Vedoin contra o Serra. Claro que ele estava na operação. (...)”.

• ENVOLVIMENTO DE ONGS
“Organização não governamental (ONG) não tem fiscalização pública, é uma esperteza para drenar recursos do Estado. Era empreiteira, depois agência de publicidade e, agora, ONG. Mudaram só os veículos e os operadores, mas as práticas são iguais. (...) Já se tentou fazer no Congresso uma CPI de ONGs. Mas aí dizem que isso é atentado à democracia. Virou uma bagunça. As ONGs são uma fonte inesgotável de corrupção”.  (...)

• CASSAÇÃO
“Eu sou muito novo, tenho 53 anos, estou no auge da minha capacidade intelectual, da minha capacidade espiritual e física. Nos primeiros meses, me abati. É como se eu estivesse numa Ferrari, tipo o Schumacher, a 300 km por hora no final da reta, e metesse o pé no freio. Desacelerei muito rápido. Me deu um vazio, mas depois comecei a advogar de novo, cantando muito, que é uma coisa que me relaxa. Tenho acompanhado muito Cristiane, minha filha, e o Marcos Vinícius, meu genro, que são candidatos, ele a deputado estadual e ela a federal. Isso me mantém vivo”.

• INTERNET
“Estou escrevendo um blog que está “bombando”, o www.blogdojefferson.com. Já tem 110 mil acessos. É essencialmente político. Ele é poderoso, duro e pega firme no PT e no governo Lula”.

• BANALIZAÇÃO DA CORRUPÇÃO
“Lula banalizou a corrupção. Quando ele disse em Paris que era comum, que todo mundo faz caixa 2 no Brasil, ele transformou isso em uma coisa natural e o povão achou que está bom. Ele estabeleceu no Brasil a política do rouba, mas faz”. (...)

 

Folha de S. Paulo, 23 de setembro de 2006

Em livro, Jefferson envolve Lula e Dirceu com dinheiro de Furnas
SERGIO TORRES


Em Nervos de Aço, livro que acaba de lançar, o ex-deputado federal Roberto Jefferson diz que contou ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva que o PT e o PTB tinham acertado partilhar R$ 3 milhões arrecadados de empresas prestadoras de serviço à estatal Furnas Centrais Elétricas. (...)

Jefferson conta sobre seu último encontro oficial com o presidente. Era a manhã de 26 de abril de 2005. No Palácio do Planalto, Lula quis saber a razão de o então diretor de Engenharia e Planejamento de Furnas, Dimas Toledo, não ter ainda sido substituído por um indicado pelo PTB, como acertado anteriormente.

"Roberto, por que está demorando tanto? Por que vocês não trocaram ainda, rapaz? Eu não quero manter esse cara lá. Por que ainda não saiu a nomeação do PTB? Vamos nomear o [Francisco] Spirandel?", teria dito Lula a Jefferson, que afirma ter sugerido ao presidente que Toledo fosse mantido. "Lula não gostou: 'Pô, como é que é? Mas por quê? Vocês já estão fazendo acordo?' 'Já.' 'Que acordo é esse?', ele quis saber. 'Qual foi o acordo que vocês fizeram, porra?'." (...)

Jefferson explicou o que era o acordo. (...) Segundo ele, (...) Lula se irritou com a explicação e não a aceitou. "Aquele senhor está traindo o governo, está fazendo o jogo do governador de Minas Gerais, e eu não quero a permanência dele. (...) Se você não tirar eu tiro e ofereço a outro partido. Tem que tirar!", teria dito o presidente, mandando, a seguir, Dirceu nomear Spirandel.

O Palácio do Planalto foi informado do conteúdo do livro, mas não havia se manifestado até a conclusão desta edição. José Dirceu não quis falar sobre o livro, informou sua assessoria.

 

REVISTA ÉPOCA ONLINE (23.9.2006)

NERVOS DE AÇO

"A única pessoa que nunca traiu o Lula foi a dona Marisa”
POR MARCIO ORSOLINI

O deputado cassado Roberto Jefferson volta à cena a uma semana das eleições. Neste sábado chegou às livrarias Nervos de Aço – Um retrato da política e dos políticos no Brasil, da Topbooks. O livro de 375 páginas faz um balanço dos últimos 15 anos da história política no Brasil, com destaque para a crise do governo Lula.

A obra foi escrita com base nos depoimentos prestados às CPIs, à Comissão de Ética da Câmara dos Deputados e em reportagens publicadas pela imprensa. "Eu tinha também todos os depoimentos em vídeo, além das entrevistas que eu dei", diz o ex-deputado. Segundo ele, a idéia do projeto partiu do jornalista e escritor Luciano Trigo, co-autor da obra. "Eu não queria fazer o livro, mas o Luciano me convenceu da importância de documentar esse momento histórico", diz. "Foi difícil porque é um assunto que gera muita raiva."

De fevereiro a agosto deste ano, a dupla se debruçou sobre as informações para escrever o volume. Depois de cerca de 25 encontros e muitos e-mails, Nervos de Aço ficou pronto. Roberto Jefferson falou com exclusividade à ÉPOCA Online sobre o livro e sobre a atual situação política no país.

ÉPOCA Online - A que conclusões o senhor chegou depois de rever todos os dados sobre a crise para escrever o livro?
Roberto Jefferson -
Não existe paladino da ética, ninguém tem o monopólio da ética. Todo mundo tem defeitos e todo mundo tem qualidades. (...)

ÉPOCA Online - Qual a intenção do livro?
Roberto Jefferson - Ele é muito duro, é um retrato sem retoques da política. É uma coisa muito crua. É uma coisa que reacende ódios, mas é importante frisar que tudo aconteceu como está ali. (...)

ÉPOCA Online - Para você, o que mudou no cenário político desde as primeiras denúncias da crise?
Roberto Jefferson - Eu acreditei, sinceramente, que o governo tinha mudado. Acreditei que o Lula era bem-intencionado, que ia corrigir o ritmo. Pensei que o Lula fosse botar um ponto final. Mas, pelo que vejo, o Palácio chafurdou de novo no mar de lama. Daqui a pouco aparece um escândalo com o garçom do Palácio. E o pior é que Lula diz que não sabia. Não dá mais para acreditar nisso. (...)

ÉPOCA Online - Qual é o ponto mais frágil da política?
Roberto Jefferson - A mentira está chegando a um ponto insuportável. O [Aloizio] Mercadante [candidato ao governo de São Paulo pelo PT] não sabia que o coordenador da campanha dele estava comprando o dossiê para destruir o Serra. O Lula não sabia que a turma que faz comida para ele e que faz a segurança pessoal dele estava armando essa história de dossiê para atrapalhar o Alckmin. O PT era paladino da ética e se tornou campeão da mentira. Todos, até o Lula. Tudo tem limite, até o direito de negar tem limite. A única pessoa que tem virtude nas relações com Lula é a dona Marisa, que nunca traiu ele. Os outros, meu Deus do céu... (...)

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