SOBRE O RELATIVISMO PÓS-MODERNO E A FANTASIA FASCISTA DA ESQUERDA IDENTITÁRIA
Este é um livro que vem para virar a mesa. Para bater de frente com um mundo político-cultural hoje hegemônico, reinando no sistema universitário e até na mídia. Estamos na ditadura do multiculturalismo, do “politicamente correto”, do identitarismo, com militantes fechados em seus guetos, de onde saem apenas para manifestar ódio a divergências e diferenças. Movimentações e grupos que, partindo de uma base justa de reivindicações, deformaram-se e se perverteram ao extremo.
Em SOBRE O RELATIVISMO PÓS-MODERNO E A FANTASIA FASCISTA DA ESQUERDA IDENTITÁRIA, tudo isso é posto em questão. E não resta pedra sob pedra. Com erudição e clareza, o antropólogo Antonio Risério vai narrando a história da formação desses movimentos excludentes (da contracultura e da transição democrática na década de 1970 aos dias de hoje), e desmontando, uma a uma, suas mistificações e manipulações, do desvario irracionalista do pensamento pós-moderno às posturas fraudulentas diante da realidade e da história.
Vão ruindo, assim, as falácias dos vários modismos para cá importados sem qualquer crivo crítico. Falácias do multiculturalismo. Do “racialismo neonegro” e seu estranho discurso em defesa da pureza racial. Da radicalização assexuada do neofeminismo, com seu horror ao desejo heterossexual. Da abolição das classes sociais, substituídas por critérios étnicos e sexuais, no neomarxismo acadêmico. Do combate racista às mestiçagens.
Mas o autor não se contenta com embates antropológicos ou filosóficos. Sua intervenção é também política. E vai à crítica do fascismo, que sobressai como triste característica de movimentos que de tudo fazem para se impor autoritariamente na vida social e sufocar qualquer discordância. Movimentos cujas condutas não se pautam exatamente pelo respeito à verdade dos fatos. Como se ao “oprimido” fosse legítimo manipular dados e atropelar a ética.
Em resposta a isso, e se definindo no campo da esquerda democrática, este ensaio é uma defesa veemente do verdadeiro convívio político e cultural, onde todos possam se mover e se manifestar ao ar livre da democracia. |