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José Carlos Mello fala sobre seu livro,

OS TEMPOS DE GETULIO VARGAS

Quando surgiu a ideia de escrever o livro? Como você o considera?
JCM – Getulio Vargas marcou a minha geração. As conversas em torno dele eram, apaixonadas, não havia meio termo nos julgamentos: ele era Deus ou Satanás, santo ou pecador. O que eu sabia de seu tempo tinha que passar adiante, deixar escrito. Espero ter feito algo que agrade aos leitores, atendendo ao que [o escritor e crítico literário americano] Harold Bloom considera essencial num livro para que seja lido: ele deve trazer prazer, cultura e conhecimento. Só os leitores poderão dizer se atingi ou não meta tão ambiciosa.

Quanto tempo demorou pesquisando, juntando informações?
JCM – Getulio sempre povoou meu imaginário. A leitura de seu Diário por mais de três anos me permitiu conhecer melhor o personagem e seu tempo. O aparecimento, na última década, de farto material digitalizado possibilitou aprofundar pesquisas e melhor entender os fatos e cenários que o envolveram. O livro foi escrito ao longo de 20 anos.

Quais foram suas maiores descobertas durante o processo?
JCM – O julgamento benevolente que tinha de si e o duro que tinha dos outros, inclusive dos amigos. Chamam a atenção algumas providências que deixou de adotar, ainda que com absoluta consciência de sua importância: a criação de um Banco Central e o Programa do Álcool Combustível, por ele iniciado e abandonado. Bastava ter levado adiante essas duas ideias e o Brasil seria outro país. Ao mesmo tempo, chocam a sua falta de preocupação em erradicar o analfabetismo, que atingia 70% da população, e os gastos excessivos com as Forças Armadas, que o sustentavam.

E as suas principais fontes?
JCM – Tive a sorte desde a infância – e por isso o livro começa com ela – de conhecer pessoas que conviveram na corte de Getulio. E também a de continuar vivo, e com excelente memória, o major Ernani Fittipaldi, seu último ajudante de ordens.

Quais foram os materiais relevantes?
JCM – O Diário, o material organizado pelo CPDoc da Fundação Getulio Vargas, alguns livros, uma enormidade de jornais e revistas. Também as lembranças de leituras e conversas foram de grande valia e facilitaram meu trabalho.

Qual o estilo do livro?
JCM – Difícil dizer. Trata-se de uma história real, ficcionada em diálogos, pensamentos, angústias, dúvidas. Foi assim que aprendi a gostar de ler a história dos povos. Os romancistas me estimularam a procurar os historiadores.

Existiu alguma razão emocional para escrever Os tempos de Getulio?
JCM – Aos oito anos, durante alguns segundos eu vi Getulio e ele me viu. Nunca pude tirar aquilo da minha lembrança. Além disso, me marcaram as conversas apaixonadas de meu pai sobre a ditadura, que revoltava seu espírito liberal, sempre avesso a dogmas religiosos ou ideológicos – o que contrastou fortemente com a emoção que ele sentiu, e me transmitiu, no dia do suicídio de Vargas.

O livro começa a termina envolvendo o autor, seu entorno, a história e a religião com Vargas. Por quê?
JCM – Nos tempos do Estado Novo, como em qualquer ditadura, a propaganda política e a censura marcaram as relações familiares, as amizades, o convívio entre alunos e professores, as atitudes da Igreja dominante, no caso a católica, e as dos militares – além de determinar o que podia e o que não podia ser lido. A religião criou tudo de que as ditaduras necessitam para se justificar, principalmente a censura com suas verdades inquestionáveis; daí introduzi-la no texto. Em tempos de Getulio, de Hitler, de Mussolini, de Stalin, de Salazar e Franco, tudo se entrelaça, nada fica de fora...

A seu ver, a que público interessa mais este livro?
JCM – Certamente os jovens poderão ter uma visão de uma época que provavelmente ignoram. Conhecerão personagens vitais na História do Brasil que para eles não passam de nomes de ruas. Os menos jovens, que nasceram logo após o suicídio do presidente, terão informações diferentes daquelas que muitas vezes receberam com as distorções naturais dos julgamentos apaixonados, ou dos juízos mais úteis aos grupos políticos.

O que é verdade e o que é ficção nesta sua obra?
JCM – A história, os fatos, as datas, os locais, os nomes e os cenários são verdadeiros. Getulio dá pistas para que o autor possa inferir seus sentimentos e os de seus amigos e inimigos, e por aí caminha a imaginação.

Qual a importância de se conhecer tantos fatos sobre seis décadas da história brasileira?
JCM – Procuro apresentar os personagens, colocá-los em sua época e dar uma ideia de como eles influenciaram o futuro, em alguns casos até hoje em dia. Creio ser pouco conhecido da maioria dos brasileiros de todas as idades que tivemos campos de concentração, que o governo Vargas foi antissemita, que admirava os feitos de Hitler e Mussolini, tratou com crueldade seus inimigos e fechou os olhos aos desvios de conduta de irmãos e amigos. Todos nós pertencemos ao nosso tempo: os valores de Getulio eram os de um período marcado por duas guerras mundiais, pela Revolução russa, a crise de 1929, a consolidação da República brasileira, o convívio com grande número de ditaduras como a dele. Estes eventos moldaram o caráter do ditador, tanto que lhe foi muito difícil conviver com a democracia entre 1951 e 1954 – situação que culminou com o suicídio.

Em seu livro, o caráter de Vargas parece mais frágil do que o do personagem que se aprende na escola. Por quê?
JCM – O conhecimento mais aprofundado da vida de Getulio deixa a impressão de que ele estava sempre à disposição dos acontecimentos; estes chegavam até ele. Foi assim na Revolução de 1930, na legislação trabalhista, na industrialização, no ingresso do Brasil na Segunda Guerra e na candidatura à Presidência em 1950. Ele foi a figura brasileira mais marcante do século XX; suas atitudes mutáveis e ambíguas permitem múltiplas interpretações de seu caráter. Felizmente deixou anotações que possibilitam conhecê-lo melhor do que qualquer outro homem público do país.

Você diria que Vargas era depressivo?
JCM – Sim, dentro dos limites em que é possível entender uma figura tão complexa. Em seu Diário, fica muito claro que ele era depressivo e com frequência se sentia incompreendido. No desfecho, ou seja, em seu suicídio, a ideia de vingança contra os que dele discordavam ultrapassa a de depressão, que é a motivação mais comum em atos desse tipo.

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