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CATÁLOGO RESENHA

MAIS DE UM SÉCULO EM 77 ANOS

Nas memórias de Roberto Campos,
um retrato abrangente e bem-humorado do Brasil

Roberto Campos tem a sorte, a poucos reservada, de melhorar à medida que envelhece. Fez coisas notáveis enquanto passeava pela História dos últimos 50 anos em companhia dos que a faziam. Assistiu, como diplomata, ao nascimento do mundo do pós-guerra no seu centro de ressonância, os Estados Unidos. Ajudou a moldar o plano de metas de Juscelino Kubitschek nos anos 50. Como ministro do Planejamento do governo Castello Branco, conseguiu a única vitória sólida contra a inflação já alcançada desde então. Ocupou as melhores embaixadas, esteve no Senado. Só que, por muitos e muitos anos, Roberto Campos falava sozinho, como um herege.

Só com a queda do Muro de Berlim, em 1989, com a onda de desestatização que invadiu alegremente a Europa socialdemocrata e avançou para os países ex-comunistas, enquanto no Brasil o povo acabou por se convencer de que congelamento de preços nada resolve — só depois desses fenômenos foi que Roberto Campos passou a ser ouvido com outra disposição. Ele vinha batendo nessa tecla desde os anos 50. Campos pouco mudou nesse período. Mas o Brasil chegou bem mais perto dele.

No próximo dia 12 de setembro, o ex-embaixador, ex-ministro e patrono dos economistas liberais no Brasil lançará seu livro de memórias A Lanterna na Popa (TOPBOOKS Editora; 1.417 páginas; 80 fotos. [Na edição posterior, em dois volumes, o número de páginas aumentou para 1.460]). A obra é um monumento não apenas pela extensão (lombada de 8 centímetros). Campos reaviva personagens como Getúlio Vargas, San Tiago Dantas, Carlos Lacerda, João Goulart e Castello Branco, com quem conviveu ou trabalhou. Os perfis são vivos, e algumas histórias, constrangedoras para os perfilados. Ao lado dessa galeria de personagens, em que entram também estadistas estrangeiros e figuras inesperadas como o escritor Nelson Rodrigues e o pintor Di Cavalcanti, amigos íntimos de Campos, o autor amontoou miudezas documentais sobre as reformas econômicas de que participou.

(...) VEJA teve acesso ao livro (...).  Na sua parte mais pessoal, A Lanterna na Popa revela um autor surpreendente para quem o conhece apenas dos artigos de jornal. Para começar, Campos tem uma formação intelectual formidável. Antes de se tornar o economista cismado com a ineficiência da “Petrossauro” e da “Eletrossauro”, lia os clássicos no original, em grego e latim, tinha familiaridade com a teologia e a filosofia, a lógica e todas as outras disciplinas que os padres de antigamente precisavam estudar antes de receber as ordens. Ele abandonou o seminário às vésperas da ordenação e, já como diplomata, estudou Economia em Washington e doutorou-se na Universidade de Columbia, em Nova York.

Campos é conhecido pela ironia, pelo sarcasmo, pela precisão com que raciocina com conceitos e números. No livro de memórias, além dessas características, descobre-se um autor com certo talento dramático para a descrição de cenas. Chega-se a ficar com pena de João Goulart em algumas situações socialmente embaraçosas.

Outra nota surpreendente do livro é a obsessão sexual do autor. Conta histórias engraçadíssimas envolvendo romances de amigos e de celebridades, distribui piadas por metade do livro, algumas delas com a grossura de um marinheiro, outras com o espírito leve de um homem de salão. É um Roberto Campos solto e contente, o melhor Roberto Campos, fazendo travessuras aos 77 anos de idade. Campos tem conhecimentos técnicos, tem cultura clássica, erudição literária, é um homem de ideias e um pregador. Falta-lhe talvez um pouco de piedade pelo gênero humano. Ele se ri. Não se comove. Campos nasceu de família modesta no fundão do Mato Grosso e cresceu entre os cipós e os corixos do Pantanal. Seu livro é um dos mais cosmopolitas já escritos por um brasileiro. A viagem foi longa.

[Em seguida, a revista publicou mais sete páginas com trechos escolhidos do livro. Embora não tenha sido assinada, a matéria foi feita pelo jornalista Tales Alvarenga.]

Publicado na revista VEJA, edição de 7 de setembro de 1994.

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A velha e boa lanterna sempre a serviço da razão

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A Lanterna na Popa e a pregação no deserto

Frases extraídas de resenhas publicadas na imprensa

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